19/07/2020  16o Domingo TC Ano A














Mt 13.24-43        Os desafios do Reino no mundo

O Trigo e o Joio (vv.24-30)

 

           A parábola do trigo e do joio registra uma situação que será uma constante na vida da Igreja. Não obstante Deus tenha realizado tudo com perfeição pelo Filho, o mal se apresentará com os anticristos que “saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos” (1Jo 2,19). O seu destino é o fogo, enquanto os que tiverem guardado intacta a fé herdarão, com Cristo, a vida eterna.

         O desvio dos anticristos tem como origem a sua determinação de romper com a comunhão de fé com a Igreja apostólica; o que implica a perda da comunhão de vida, pelo Filho, com Deus Pai. As heresias despontam naqueles que, depois de ter abraçado a fé sob a ação do Espírito, negam ser o Cristo o Filho de Deus. Preferem seus vãos arrazoados ao se ater ao que, pela fé, chegaram a conhecer. Esquecem-se da transcendência das verdades reveladas, julgando que a sua intuição humana lhes é superior.

 

 A caridade é condição de eficácia (vv. 31-35)

 

As parábolas do grão de mostarda e do fermento apontam para o elemento que torna uma igreja capaz de realizar a sua missão:a caridade. Em Ap 3,9, vemos que Jesus o declara expressamente. Somente Jesus tem o poder de converter os corações. Nada, porém acontece se ele não pode contar com a cooperação daqueles que enviou para dar continuidade à sua obra. É preciso que a Igreja guarde os mandamentos de Cristo (v. 8) e persevere no testemunho (v.10) para ser amada por ele (v.9). Somente então se tornará, como ele, “luz do mundo”.  Vemos que nestas parábolas há um paralelismo com o ensinamento que Jesus pronuncia logo após ter proclamado as Bem-aventuranças. Somente a Igreja que se torna sal da terra e luz do mundo provocará o reconhecimento dos homens que chegarão a louvar o mesmo Pai que está nos Céus.

 Podemos constatar, pelo evangelho de hoje, quanto a parábola ajudava Jesus a apresentar a sua doutrina.

A Importância do Reino (vv 36-43)   

    Jesus, nesta perícope, detalha o sentido das imagens utilizadas na parábola do trigo e do joio.  Vemos que aplica a mesma técnica de quando explica, em Mc 4,14-20, a parábola do Semeador. Isto nos permite apreciar o valor catequético que as parábolas têm. Comunicam, pela aproximação (Gr.: παρα βαλλω) de quadros familiares aos ouvintes, verdades de conteúdo profundo. Neste caso Jesus apresenta o mundo com a sua perversão, o plano sapientíssimo que Deus quer atuar em favor do homem, a grandeza de quem pertence ao Reino, a mísera condição daqueles que vivem escravizados pelo Maligno, a terrível realidade escatológica, momento em que o Filho do Homem condenará ao fogo eterno os maus, enquanto convidará os bons para “brilhar como o sol no Reino de seu Pai” (v.43).

    Não há como nos equivocarmos diante do “grande profeta que surgiu entre nós”, que, admiradas, as multidões escutavam.

 

 

20/07/2020  2a-feira 16a semana TC

Mt 12,38-42        Eu venci o mundo

   
Sempre na sua fidelidade à sua missão, revelando todo o seu amor pelos seus inimigos que ele continua a considerar seus irmãos, Jesus a eles oferece, como último sinal de salvação, a sua ressurreição. Ela o revelará
dessa forma, que ela realizava  a Profecia e que eles tinham sido vítimas
vencedor daquela morte que eles conseguirão, afinal, lhe infligir, provando,
de uma sanha homicida. Proclamá-lo-á Pedro no seu discurso de Pentecostes: “Vós matastes o autor da vida” (At 2,23; 3,15).
Jesus anuncia a sua ressurreição citando o livro do profeta Jonas. A figura do profeta engolido pela baleia, em cujo ventre permanece três dias e três noites, é, para Jesus, a mais apropriada imagem para definir a natureza divina da sua explicativa).ressurreição, segundo o que lemos em Os 6,2 (a nota de rodapé da BJ é muito Nós que estamos de posse do tudo realizado, sentimos, nas palavras que Mateus aqui cita, toda a condição divina de Jesus. Ele é maior que Jonas e Salomão. 

(acréscimo) 

    A atitude de Jesus tem a sua explicação na determinação dos fariseus de querer matá-lo por tê-los desafiados ao curar um homem com a mão atrofiada em dia de sábado (12,9-14), e por ter sido insultado por ter expulsos um demônio de um endemoninhado (22-32).

21/07/2020  3a-feira 16a semana TC

 Mt 12,46-50          A importância da Palavra

        Esta perícope aponta para aquilo que Jesus mais espera dos seus discípulos: que vivam o seu seguimento preocupados em dar prioridade à escuta da Palavra que transmite a mensagem de Deus. É a Verdade que motiva a viver segundo a sua vontade, enquanto cria as condições que nos preservam na liberdade dos filhos de Deus (Jo 8,31-32).  O elogio que Jesus fez de Maria, irmã de Marta, é particularmente ilustrativo: “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42). A resposta que Maria Ssma. dá ao anjo no momento da Anunciação explica como a perícope de hoje pode ser interpretada como um elogio que Jesus faz da sua Mãe, que mostrou estar pronta em cumprir a vontade de Deus, na condição de “humilde serva” (1,38.48): “Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Palavra que soube interpretar porque familiarizada com as Escrituras.

(acréscimo, 21/08/2020) A Palavra, que vemos sair da boca do Deus criador, juntamente com o espírito, torna-se surpreendemente presente entre nós pela encarnação da Verdade-Vida. Jesus é o Unigênito Deus, Verdade-Vida com o Pai e o Espírito, que, em Deus está “voltado para o Pai” e que, feito homem, no meio de nós, de Deus nos dá toda explicação. Pela sua doutrina nos revela que Deus tem um plano sobre o homem; que, este Plano se atua na misericórdia, porque o “Eu sou”, Verdade-Vida, resgata o homem da sua condição de miséria moral e na força do Espírito, que é o seu Espírito, pelos seus dons, faz com que produzamos muitos frutos. Ele é a verdadeira videira e nós somos os ramos. Para entender a prodigiosa ação da videira ação de Jesus,temos que considerar o que ele opera na Virgem Maria. E nós podemos considerá-lo lendo a reflexão sapiencial de quem redigiu o quadro da anunciação. Para ainda mais intensamente captar a ação grandiosa da Vida trinitária em Maria, pensemos nas palavras da oração da solenidade da Imaculada conceição: “Para que fosse digna habitação do seu Filho, Deus quis que fosse concebida sem mancha de pecado”. As virtudes da fé, da esperança e da caridade, juntamente com a disposição que brota o perfeito reconhecimento da sua dependência do Criador, estão nela, quando diz ao anjo Gabriel: “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Desde então, “guardava tudo no seu coração”, podemos observar isto pelo canto do Magnificat, no momento da Visitação. Messe cântico temos que notar o sentido das palavras: “E a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”.

    O processo da nossa santificação, uma vez recebida a graça do batismo, deve seguir os passos de Maria: compenetrarmo-nos com a grandiosidade do plano de Deus que quer nos tornar seus filhos adotivos em Jesus Cristo (Ef 1,5). Maria vivia esta contínua reflexão do plano de Deus, porque “guardava todas essas coisas no seu coração e as meditava (Lc 2,19.51). Esse processo continuou ao longo de toda a sua vida até Jesus torná-Mãe da Igreja (Jo 19,26; At 1,14) 

22/07/2020  Sta. Maria Madalena

Jo 20,1-2.11-18    A Fé da Igreja no Senhor ressuscitado

    A aparição de Jesus à Madalena nos mostra que a sua ressurreição tornou-se uma certeza para a Igreja apostólica, por ter descoberto que é por duas vias que devemos interpretar o mistério. O túmulo vazio remete, como indica o discípulo amado, às Escrituras (Jo 20,9), que determinam que o “Justo não podia conhecer a corrupção” (At 2,27). Paulo confirma este fundamento quando diz: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3-4). As aparições, seja a pessoas privilegiadas, como àqueles homens chamados, como o foram os apóstolos, a se tornarem testemunhas qualificadas, tem seu fundamento na mais profunda convicção suscitada neles pelo mistério a eles anunciado.

O anúncio do Senhor ressuscitado é grandioso: em virtude da redenção que realizou. Ela nos tornou seus irmãos. O seu Pai é, agora, o nosso Pai


25/07/2020  sábado São Tiago Ap.



    Mt 20,20-28        O Sacrifício Espiritual

    O ensinamento de Jesus, provocado pela insensatez dos “filhos de Zebedeu”, nos revela quais foram os ideais da Igreja apostólica, e quais devem ser os nossos, após ter entendido a nobreza e a grandeza das convicções do “Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (v.28). Grande, na Igreja, é aquele que de tudo se desapega porque quer potenciar a credibilidade da boa nova do Reino e completar “na sua carne o que falta à paixão de Cristo” (Cl 1,24), fazendo do seu corpo “um sacrifício espiritual”, procurando realizar “tudo o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2). 





23/07/2020 5a-feira 16a semana TC

Mt 13,10-17        Tu tens Palavras de Vida eterna

    A explicação que Jesus dá aos Apóstolos, revela a  situação em que se encontram os homens quando não correspondem à iniciativa de Deus. Eles estão arriscados a cair na perdição definitiva, não fosse a atuação misericordiosa que está se revelando nele, o Filho, que o Pai consagrou e enviou ao mundo. Esta condição deve ser tipificada com aquela de Israel que se tornou um povo cego e surdo por causa dos seus pecados. Jesus tenta ensiná-lo para que advirta a gravidade da condição em que se encontra. Os Apóstolos podem se considerar felizes porque mostraram  ser um terreno capaz de produzir frutos. Os seus olhos já se abriram, como, também os seus ouvidos, porque a tudo renunciaram para segui-lo.

    Purificados, estão em condição de receber a Palavra daquele que o Pai enviou ao mundo. A Verdade que estão em condição de conhecer, os tornará homens livres.


26/07/2020  17o domingo TC Ano A

 

Mt 13,44-52        O Reino dos Céus é um tesouro

    Mt 13,44-46

    Ninguém poderia avaliar melhor as riquezas do Reino do que o próprio Jesus que o anunciava. De início, implica, de sua parte, uma ação irresistível, qual aquela de desbaratar as forças do Maligno, no poder do Espírito Santo (Mt 12,28). A narrativa do endemoninhado gadareno, basta para ressaltar a importância da ação libertadora de Jesus. Entende o valor do reino o discípulo que decide seguir Jesus porque vê como a Verdade o liberta (Jo 8,31-32). O Reino dos Céus é Cristo Jesus com o Espírito, condição gratuita e universal de salvação. Vale a pena investir tudo em vista da posse de tão precioso tesouro.

    O Reino dos Céus, dessa forma, acaba sendo a aglomeração dos homens que, como expertos comerciantes, visam fazer parte dele porque estão determinados em possuí-lo, como se fosse uma perola de grande valor. Bem aventurados são, portanto os que, assumindo Jesus como Mestre e Guia, “andam como ele andou” (1Jo 2,6). 

    Mt 13,47-52

    A metáfora da rede remete ao quadro da pesca milagrosa. Vemos, dessa forma que quem realiza o Reino é Jesus que, pela sua ressurreição, se torna o Senhor. Os Apóstolos que ele chamou para se tornarem pescadores de homens são seus cooperadores que, através de tudo aquilo que instituiu, oferecem aos homens as condições de fazer parte do Reino, do qual serão excluídos os maus, destinados a perecer pelo fogo.

    Na parábola se apresentam os elementos fundamentais do Reino: Jesus, Senhor da Igreja, princípio de salvação eterna; os Apóstolos que, pelas instituições da Igreja, reúnem “os povos dispersos”; o julgamento final que separará os bons dos maus.

 

24/07/2020  6a feira 16 semana TC 

Mt 13,18-23        O Ensinamento em Parábolas

    Os episódios que encontramos em Mt 11 e 12 nos ajudam a entender o prejuízo que causa para si aquele que, embora ouça, não entende. Assemelha-se às cidades da Galileia e aos escribas e fariseus. A atitude de muitos escribas e fariseus que, embora chegassem a acreditar em Jesus, não manifestavam a sua fé, por medo de serem expulsos da sinagoga (Jo 12,42), nos ajuda a entender, também, como todos aqueles que não perseveram até o fim, não alcançam a salvação (trata-se do terreno pedregoso). O jovem rico e Judas, apegado ao dinheiro a ponto de vender o próprio Jesus, nos dizem como poderíamos ser excluídos do Reino por tê-lo preterido como algo insignificante. Alcançam o Reino dos Céus “os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”, como fizeram os Apóstolos, embora precisassem crescer ainda mais na sua fé. De fato, acovardaram-se diante da Paixão do Senhor. Pedro recuperou o amor por Jesus pela ação irresistível de quem o constituiu no pastoreio da Igreja, que o tornou, então, capaz de confirmar na fé os seus irmãos (Lc 22,32).